Como me torno um Cientista de Dados? Parte 1

Bom, se vamos falar de trabalho nômade, home office, trabalho remoto e como mais você chamar um estilo de vida responsável mas livre, então falar sobre uma das profissões mais badaladas dos últimos anos e que tem uma perspectiva absurda de crescimento é uma das melhores formas de inaugurar o nosso novo espaço.

Me acompanhe!

Perdi a conta de quantos artigos, webinars, cursos, livros, cd, discos e fitas cacete (tudo bem, exagerei um pouco) eu já li, vi, ouvi e joguei no lixo sobre como tornar-se o tal do cientista de dados. É tanta “glamourização” sobre o tema que quando a gente conversa com grupos de cientistas de dados (os verdadeiros) é quase que uma piada de mal gosto. É tipo chegar naquele cara trincado na academia e falar: “escuta só, o que acha desse chá emagrecedor e dessa pílula número um em vendas no Brasil que prometem juntos tirar esses quase 40 quilos extras que eu tenho e me deixar definido em 7 dias?”. Se o cara for gente boa ele ri e te fala, queridão, não é bem assim, pode até ajudar, mas exige muito mais do que isso. Se ele for um cara impaciente, vai te dar um aplauso na orelha e sair de perto.

O motivo disso é simples, quando falamos de ciência de dados (ênfase na ciência) estamos falando de algo abrangente, que exige conhecimentos profundos em mais de uma disciplina (não básica). Além disso, muita, mas muita experiência prática. Estamos falando de conhecimentos em matemáticaestatísticadesenvolvimento, entre diversas outras disciplinas. É preciso mais do que alguns hard skills, também é preciso ter soft skills e estes são os que de fato permitirão que usemos as técnicas e todo o ferramental para chegar ao resultado esperado.

CHEGOU A HORA DO DESÂNIMO!

Muitas pessoas ao se depararem com essa triste e dura realidade percebem que não é para elas, é ai que a vida vem mais uma vez e separa os meninos e as meninas dos homens e mulheres de verdade. É aqui onde o funil filtra de fato aqueles que serão profissionais fora da curva e capacitados de verdade para atuar como cientistas de dados e que entregarão real valor ao negócio.

OS FARSANTES!

Pensa, se tem gente que consegue viajar de avião de graça passando-se por dono de uma grande empresa aérea (referência a história relatada no filme VIPs – Histórias Reais de um Mentiroso), não é de se espantar que tenha gente passando-se por cientista de dados e assumindo responsabilidades para as quais não está preparado. O resultado desse tipo de combinação é bem fácil de imaginar, falta de entregas e de valor. E ai que a imagem “de la profissión” cai por terra e começamos a ter um problema de confiança.

“Será que essa cultura data driven realmente funciona?”

Tem muita, mas muita gente querendo surfar essa onda achando que conhecimento em python ou a leitura de um livro sobre estatística ou Machine Learning for Dummies vai ser o suficiente, são essas pessoas que encontramos chorando nos banheiros das empresas no primeiro mês de trabalho. Não digo que começar com isso não seja correto, o que afirmo categoricamente é que isso não passa nem perto de ser o suficiente.

“SENDO UM CIENTISTA DE DADOS SEM SER UM CIENTISTA DE DADOS”

Trabalhar com qualquer coisa exige preparotreinoestudo, mais treino, mais estudo, mais treino e mais estudo! E quando achar que treinou o suficiente, vai se deparar com um problema ou cenário que nunca, nem em um milhão de anos teria previsto. É dai que surge a importância de ser ativo nas comunidades do assunto que está estudando, meter a cara tentando ajudar os outros a resolver seus problemas pois só isso vai te dar o preparo do mundo real necessário. Muitos dos participantes de fóruns e comunidades são profissionais já atuantes no mercado e que trazem dores reais, do dia a dia da profissão na qual você quer atuar. Isso nos permitem ter uma noção de como é estar na pele dele sem de fato sofrer a pressão que ele está sofrendo. É como cuidar de um bebê que não é seu, quando ele chora ou faz cocô você devolve para os pais e continua achando ele fofinho de longe.

DICAS PARA A VIDA

Então pequeno grilo, anota ai no seu caderninho mequetrefe as dicas de vida que vou te dar!

  • Defina o que você quer;
  • Analise que conhecimento precisa para atuar com isso (faça um mapa mental, coloque no trello, em uma planilha eletrônica da vida, não importa como e onde, o importante é que você materialize os tópicos que precisa conhecer ou dominar);
  • Comece a separar o máximo de material possível sobre os assuntos;
  • Crie uma rotina e um ambiente adequado para seus estudos;
  • Inicie a sua rotina de estudos;
  • Entre em todas as comunidades que achar e interaja como se não houvesse amanhã (telegramwhatsappfacebookgrupos do google, fóruns específicos, etc);
  • Assuma o problema do outro para si, interaja com ele e tente ajudá-lo a resolver da melhor forma possível, sem ser chato e/ou invasivo. Isso não só vai te preparar para o mundo real como vai te proporcionar um belo network na comunidade, as pessoas vão começar a ver o seu empenho em solucionar problemas, a sua proatividade e você verá que nem precisará correr atrás de um emprego, ele vai surgir naturalmente através de alguém que viu a sua atuação na comunidade.
  • Ah! E não esqueça de pedir ao fanfarrão que trouxe o problema para que ele compartilhe a solução quando chegarem a ela, desta forma todos aprendem com isso para que diante de um cenário similar, saibam por onde começar.

HORA DA VERDADE

Quer saber a melhor de todas? Você nunca chegará ao status de cientista de dados, você naturalmente passará a atuar como um. Muitas pessoas evoluíram naturalmente dos seus cargos como estatísticosmatemáticoscientistas da computação e até mesmo desenvolvedores ou engenheiros de dados para atuar como cientistas de dados sem que para isso precisem ter o título ou registro na carteira. Ser cientista de dados é mais do que um nome, mais do que um título, é a sua entrega!

NO MUNDO COVID-19

A boa notícia é que apesar de tudo isso que tem acontecido, novas oportunidades tem aflorado do nada, nunca precisou-se tanto de profissionais capazes de contribuir com uma Cultura Data Driven e que agreguem verdadeiramente valor ao negócio. Profissionais capazes de pensar fora da caixa e atuar mais do que tecnicamente, focado no negócio como um todo. Não adianta nada você baixar a cabeça no teclado e digitar códigos e mais códigos, rodar algoritmos super chiques e complexos em alto poder computacional se isso não sanar uma dor do negócio e agregar verdadeiro valor para a companhia.

No momento atual, o home office e os diversos treinamentos online nos ajudam e muito nessa jornada.

Entenda melhor isso na parte 2 deste artigo.

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